[LIVRO] PASSAGEIRO ZERO - missão espacial com tripulante possivelmente grávida. Pane geral e tripulação perde contato com a Terra.
Em uma missão espacial para coletar minerais raros e trazê-los à Terra, oito tripulantes partem confiantes de que tudo seguirá conforme os cálculos. Mas um inesperado colapso no sistema de telecomunicações os isola completamente do planeta natal. Sem contato com a Terra por meses, a sobrevivência da equipe dependerá apenas de sua união - algo que logo começa a se fragmentar.
Entre as tensões crescentes, uma descoberta inexplicável ameaça romper de vez a confiança entre eles: Sofia, a bióloga da missão, apresenta sinais claros de gravidez. O impossível se impõe. Nenhum relacionamento aconteceu a bordo, e os protocolos rígidos de saúde deveriam ter impedido qualquer chance de isso ocorrer antes da partida.
Enquanto desconfiança, medo e hostilidade se espalham entre os tripulantes, uma pergunta se torna inevitável: o que realmente está acontecendo dentro daquela nave? E, pior ainda... o que está crescendo dentro dela?
CAPÍTULO 01 - PANE GERAL
O som estridente de um alarme invadiu a nave, cortando o silêncio absoluto do espaço. Uma luz vermelha piscante preenchia o corredor central, oscilando em disparado. Cada disparo fazia as sombras das estruturas metálicas dançarem pelas paredes estreitas. A temperatura na cabine principal subiu alguns graus, devido a um problema que já demonstrava falhas no sistema.
Jonah, o comandante, já estava em pé, os músculos tensos como se antecipasse os problemas que estavam por vir. Com quase dois metros de altura, sua presença impunha respeito, e os traços marcantes de seu rosto — um maxilar forte e olhos de um azul cortante — refletiam o peso das suas responsabilidades. Ele entrou correndo na sala de controle, gritando, pedindo informações:
— Situação! O que está acontecendo, pessoal?
O técnico de voo, Aiden, estava curvado sobre os painéis, os dedos ágeis dançando pelas teclas holográficas. Seus cabelos pretos e desalinhados reluziam sob a luz rubra, enquanto os olhos puxados, demonstrando sua descendência asiática, piscavam freneticamente, tentando compreender o que os dados lhe diziam.
—Há uma sobrecarga no sistema de energia primário! É tudo que sei até o momento. Estou tentando descobrir mais. - suspirou cansado, dando de ombros.
Jonah agarrou o encosto da cadeira de Nakamura, inclinando-se para ver os mesmos dados. Sua voz era baixa, mas carregava uma raiva prestes a explodir.
— Tentando descobrir? Isso deveria ter sido detectado antes! Era sua obrigação monitorar o funcionamento da nave. - não pensou duas vezes antes de falar.
Aiden parou por um segundo, as mãos congeladas no painel. Ele virou a cabeça lentamente para encarar Jonah, o rosto carregado de fúria, mas contida:
— Minha obrigação? Talvez você devesse olhar no espelho, Jonah. Quem autorizou a última reconfiguração sem consultar a equipe? - a acusação chamou atenção de outros na sala.
__ Do que está falando? - Comandante Sterling perguntou preocupado. Seu olhar denunciava que ele sabia exatamente o que Aiden dizia.
__ Eu sou o Técnico de vôo desta nave. Não subestime minha inteligência, Jonah. Ontem você reconfigurou a nave, não colocou no diário de bordo e não me consultou e nem o Damien, como manda o protocolo.
A tensão na sala de controle causava mais tensão em toda a tripulação. Damien, o piloto, interveio antes que as coisas saíssem de controle. Com um ar tranquilo que raramente abandonava seu rosto, Damien tinha o tipo de presença que acalmava a tempestade — mas nem sempre era ouvido. O homem de 54 anos, tinha os cabelos cacheados e todo grisalho e usava uns óculos redondos, que lhe dava uma aparência de nerd. Falou com tom de voz firme, quase paternal:
— Parem com isso! Precisamos unir forças para consertar a nave, não ficar perdendo tempo acusando uns aos outros. Nakamura, concentre-se nos sistemas. Jonah, foque na liderança. Não temos tempo para brigas agora. Pelo amor de Deus!
Enquanto isso, Sofia, uma bióloga, que tinha sido enviada para fazer pesquisas, estava encolhida em um canto, as mãos pressionadas contra os ouvidos. Sua pele dourada parecia pálida sob a luz vermelha, e os olhos castanhos estavam arregalados, fixos no vazio. Sofia tinha uma aparência angelical. A jovem estava no auge da sua beleza aos 27 anos. O corpo bem feito, e um rosto tão bonito que chamava atenção de quem a conhecia. A médica, Camille, correu até ela, preocupada. A mulher de 40 anos, tinha cabelos loiros claros escorrido, quase albino, preso em um coque solto que balançava enquanto se movia. Camille tinha uma aparência frágil. Parecia uma boneca de porcelana. A pele muito branquinha, e os olhos azuis claro. Ela tocou as mãos de Sofia e segurou forte dizendo:
— Sofia, olhe para mim. Respire. Inspire, expire. Isso, comigo.
A jovem obedecia a médica. Não era a primeira vez que Sofia tinha crise de pânico dentro da nave. Na verdade, já tinha tido várias vezes e Camille todas as vezes tinha acudido ela.
— Eu... não consigo... — Sofia parou e disse sussurrando e tremendo com lágrimas escorrendo por seu rosto.


Comentários
Postar um comentário